Como usar a teoria das cores na arte digital: guia completo
Aprenda teoria das cores para arte digital: círculo cromático, cores complementares, luz, sombra e luz refletida para criar ilustrações mais harmoniosas.
Sumário
Como a teoria das cores ajuda a deixar uma ilustração digital mais natural?
Você já escureceu a cor base para criar uma sombra e o resultado ficou sem vida? É aí que entra a teoria das cores. Ela explica como a luz, as sombras e o ambiente transformam a cor original de um objeto e por que apenas escurecer nunca funciona. Dominando o círculo cromático, as cores complementares e a luz refletida, você escolhe paletas harmoniosas com mais segurança, cria volume de verdade e dá muito mais vida aos seus personagens e ilustrações.
O que é o círculo cromático? Base para escolher cores na arte digital
Vamos começar pela ferramenta que deveria ser a melhor amiga de todo artista: a roda de cores (ou círculo cromático). A versão que usamos aqui é a roda tradicional dos pintores.

Ela é formada por três cores primárias: amarelo, vermelho e azul. Misturando-as duas a duas, surgem as secundárias laranja, verde e violeta , que ficam posicionadas entre as primárias que as originam. Já o anel externo do círculo mostra as combinações e transições entre todas elas.

Agora chegamos a um conceito-chave deste guia: as cores complementares — aquelas que ficam em lados opostos da roda. Elas têm uma propriedade curiosa: quando misturadas, se neutralizam. Azul com laranja, por exemplo, resulta em um tom acinzentado; violeta com amarelo produz um cinza turvo. O mesmo vale para qualquer par de complementares.

O cinza fica no centro da roda de cores. A roda de cores é importante porque serve de guia para identificar como a luz colorida influencia a cor de base ou original, chamada de “cor local”.
Fundamentos de luz e sombra para criar volume na ilustração
Antes de começar a usar cores, vou explicar os princípios do sombreamento. Em um mundo simplificado, usaríamos escala de cinza para tudo, pois essa seria a forma mais fácil de desenhar e pintar.
Neste exemplo, vamos imaginar uma bola cinza neutra sobre uma mesa também cinza, com uma fonte de luz.

A luz vem do canto superior direito. Quando a luz atinge a superfície, todos os planos de geometria voltados para ela são iluminados e se tornam mais claros, enquanto todos os planos não atingidos pela luz ficam na sombra.

Também há um terceiro tipo de fonte de luz que tem origem na física da luz em si. Como a luz ricocheteia por toda parte, um pouco de luz refletida também aparece na área sombreada. A luz refletida nunca é tão forte quanto a luz em si.

Esse é o básico sobre sombreamento. Com esses princípios, você pode criar uma ilusão de dimensionalidade sabendo apenas a fonte e a direção da luz.
Como a cor da luz, das sombras e do ambiente influencia a pintura
Apesar de essa ser uma superfície plana, quando olhamos para a imagem podemos entender a geometria e a profundidade expressadas nela. Quando adicionamos cor, é aí que as coisas começam a se complicar. Temos que pensar não apenas nos valores, na fonte de luz, na forma da sombra e na luz refletida, mas também na cor do ambiente, na cor da luz e na cor das sombras. Há muitos elementos complicados.
Vamos usar a mesma bola cinza num ambiente diferente. O ambiente é bastante quente, com tons terrosos, e a fonte de luz tem cor. Se imaginarmos ser um ambiente externo, a fonte de luz será o Sol e, portanto, amarela.

O que acontece quando a luz atinge a superfície da bola cinza? A luz é amarela, então o destaque na bola cinza será amarelo.

O ambiente é de uma cor marrom quente. As sombras são influenciadas pela cor do ambiente, então a sombra é de uma cor quente e não apenas preta.

Também há um pouco de luz refletida do céu azul que influencia a lateral da sombra. Ela é bastante suave neste exemplo, mas acho que serve para ilustrar a ideia.

Como usar o círculo cromático para escolher luzes e sombras
Mas então, o que a roda de cores tem a ver com essa explicação sobre como a luz funciona?
Nós começamos apenas com uma bola cinza porque assim é mais fácil explicar. O cinza fica no centro da roda de cores. Como temos uma fonte de luz amarela, procuramos pelo amarelo na roda de cores, sabendo que podemos seguir nessa direção para prever a cor resultante da iluminação. Isso é muito simples com o cinza, pois o movimento é sempre na direção da cor que queremos aplicar.

Para o destaque, vamos do centro da roda de cores em direção ao amarelo. Para as sombras quentes, vamos da cor cinza local para os tons quentes. Por último, para a luz refletida azul, vamos do cinza em direção ao azul.

É um exemplo simples, mas é muito importante imaginar isso na situação mais simples possível. Quando você usar cores locais diferentes, você vai ter uma compreensão muito melhor sobre o que acontece com as cores e entender por que elas mudam da forma como mudam.
Aplicando a teoria das cores na pintura de personagens
Até aqui vimos apenas o básico da teoria das cores. Agora vamos observá-la em ação pintando esta personagem.

Neste exemplo, vamos usar as mesmas condições de iluminação da nossa bola cinza, com luz quente vindo do Sol, sombras quentes de tons terrosos e um pouco de luz refletida do céu azul.
Para a pele e o cabelo, eu escolhi a cor da sombra escurecendo a cor local e movendo-a na direção do vermelho para torná-la mais quente. Para os destaques, eu deixei a cor local mais clara e mais amarelada.

Adicionando luz quente a cores locais frias
É simples usar cores quentes e torná-las ainda mais quentes para sombras e destaques. A dificuldade está nas cores mais drásticas, como na blusa azulada.
Vamos começar com o azul na roda de cores. Se desenharmos uma linha reta do azul ao laranja, essa linha vai passar pelo cinza. Isso significa que, no caso do azul, precisamos dessaturá-lo para torná-lo mais quente.
Quando eu não entendia nada sobre cores, eu pegava a cor local e deslizava para baixo, aumentando a saturação.
Mas, como você pode ver, a sombra fica muito mais azul e fria do que a cor local, apesar de os outros elementos da imagem terem sombras quentes. Isso parece errado porque temos uma sombra de cor diferente.

Esta é a cor de sombra adequada para a sombra da blusa azul. Todas as cores são unificadas sob as mesmas condições de iluminação, com luz quente e tendo sombras quentes.

Como a pele nunca tem uma cor só, eu adiciono alguns tons vermelhos usando o aerógrafo. Eu adiciono vermelho às bochechas, assim como às áreas onde a pele é mais delgada e tem mais vasos sanguíneos próximas à superfície.
Em seguida vem a cor refletida do céu que atinge a área sombreada. Laranja e azul estão em lados opostos da roda de cores e, portanto, são cores complementares. Quando misturamos duas cores complementares, elas formam cinza; assim, quando a luz azul atinge a cor da pele, vamos ver justamente a cor cinza. Eu uso uma cor violeta ligeiramente rosada.
E então combino as cores.

Você pode usar a mesma abordagem para fazer algo mais drástico com as cores sob diferentes circunstâncias de iluminação.

Você pode usar qualquer tipo de referência de cores e aplicá-la a suas pinturas. Lembre-se apenas de pensar sempre na cor da luz, na influência do ambiente sobre as sombras e em quaisquer fontes de luz secundárias que possam influenciar a superfície.
As cores podem fazer uma grande diferença na sua arte devido às emoções que elas carregam, então use-as com sabedoria!
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SOBRE A ARTISTA
Magdalena nasceu na Polônia e, atualmente, mora e trabalha na Alemanha como artista conceitual sênior para a empresa de desenvolvimento de jogos Ubisoft. A pintura digital é sua paixão e ela passa todo o seu tempo livre trabalhando em ilustrações e desenhos de personagens. Ela é uma palestrante ativa e professora convidada em universidades de desenvolvimento de jogos de ponta na região de Renânia do Norte-Vestfália, na Alemanha.
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